Essa semana postei aqui
no blog um look com a barriga de fora. Ok, não a barriga toda, mas apenas uma
faixa da área do estômago, o que pra mim já foi um grande avanço, afinal. Eu
não esperava receber tanto apoio. Tanto é que me limitei apenas a postar as
fotos e nada mais além disso, pra não fazer discurso de “ame o seu corpo”, mas
após ter sido tão bem aceita pelos amigos resolvi sim fazer um discurso
referente a isso.
Eu já postei,
avulsamente, muitos pensamentos acerca da relação com meu corpo no facebook que
geraram inúmeros ~pitacos~. Quando eu me valorizo frente ao corpo que tenho e
falo disso abertamente não é fazendo apologia à obesidade. Eu passei uma vida
inteira me vendo engordar a cada ano, mesmo me exercitando bastante, pois eu
fazia no mínimo três esportes a cada 2x na semana. Claro que quando eu parei as
coisas aconteceram de maneira mais rápida – e, óbvio, os comentários também – o
que gerou em mim um sentimento de inferioridade bem grande. Eu fiz dietas? Fiz,
claro. Mas agradeço por eu ter sido forte (ou fraca?) e não ter entrado numa
onda muito hard a ponto de ter prejudicado (tanto) minha saúde, mesmo tendo
desenvolvido uma bulimia branda que escondi minha vida inteira e acho que,
inclusive, é a primeira vez que estou falando sobre. Enfim, eu cresci, a
adolescência foi indo embora e (quase) todas as nóias foram junto. Quando
entrei na Universidade pra cursar Gastronomia a minha situação com a balança
foi piorando. Engordei 20kg em 4 anos e até hoje nunca me livrei deles, pelo
contrário. Mas nessa época eu já havia me estabelecido psicologicamente e
estava aprendendo a lidar com meu corpo, a saber o que funcionava nele, a saber
o que eu mais gostava e poderia valorizar. De lá até aqui, então, fui criando
uma autoestima para me amar acima de qualquer coisa. Claro que às vezes ela
cai um pouco, é natural, mas eu tento não me abalar tanto com comentários
alheios.
O meu ponto de vista é:
se eu não me amar ninguém vai fazer isso por mim. Quando eu penso que posso ser
bonita gorda não quero dizer “sejam todxs gordxs”, estou apenas afirmando para
mim que a minha aparência não altera quem eu sou e que quem não gostar de mim
pela aparência, sinto muito, mas só vai perder a chance de me conhecer melhor. Eu
não posso me crucificar todos os dias por ser gorda se isso não vai mudar do
dia para a noite. Eu tenho que me amar no presente e não numa indefinida
magreza futura. Muito
do típico físico é questão de metabolismo, além de hereditariedade, nem sempre
está ligado à alimentação. Quando eu digo “ame suas curvas” não estou dizendo:
se entupa de porcaria. Acho que quem ama cuida, portanto cuide de você. Hoje
minha alimentação é muito melhor do que há alguns anos, mas não pra alcançar
um corpo magro, mas sim porque sinto que me faz melhor.
Quando eu criei o blog
foi para exercitar novos jeitos de me vestir e quebrar algumas ditaduras da moda, pois muito
de meus gostos pessoais iam contra as regras. Além, claro, de que havia algumas
amigas engordando e se achando a pior pessoa do mundo por isso e se enterrando
em leggings e batas e me questionando como eu conseguia me vestir bem e achar
roupas tranquilamente; e eu quis tentar ajudá-las um pouco nisso. Foi assim,
inclusive, que descobri um gosto pela moda que eu nem sabia que existia dentro
de mim. E com essa descoberta, a cada dia, venho descobrindo que sou capaz de me amar cada vez mais. E espero que seja assim com todo mundo um dia.
Adorei sua reflexão Rô, é isso mesmo, vc arrasa e se veste super bem 😍
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