quarta-feira, 22 de julho de 2015

Auto estima e segurança não tem a ver com o corpo que temos



O último post que fiz aqui, sobre Biquíni x auto estima deu o que falar no facebook - inclusive foi o post mais acessado desse blog tão abandonado. Roubei a frase do título de um comentário de uma amiga. O negócio é que os comentários me fizeram querer escrever sobre o tema de maneira mais aberta. Eu evito ficar fazendo discurso aqui. Geralmente eu levo mais pro meu lado mesmo e englobo o discurso dessa maneira, mas só através de pinceladas.

Eu canso de ver pessoas que emagreceram reclamando do corpo. Eu canso de ver pessoas que engordaram reclamando do corpo. Mas no fim das contas as reclamações sempre existiram, antes mesmo de alguma coisa ter mudado. No fim das contas nós sempre estamos insatisfeitas com alguma coisa. Sempre queremos mudar algo. E não é só de emagrecer ou engordar que estou falando. Tenho amigas brigando com a balança o tempo inteiro. Seja pra o número diminuir ou aumentar. Mas será que o peso é o mais importante? Sinceramente, os números pararam de fazer diferença pra mim. Enquanto não se mudar a cabeça nada será feito. Recentemente perdi 5kg. Sim, eu tinha entrado na academia, mas meu foco não era esse. Eu só soube que perdi porque estava todo mundo comentando que eu estava mais magra. Fui me pesar depois de dias só pra ver se era mesmo. E sim, era. Aquilo mudou minha vida? Não. Em outras épocas eu daria pulos de felicidade. Fui medir minha cintura e vi que tinha perdido 2cm. Fiquei feliz, mas também nem chegou aos pés do quanto eu ficaria em outra época. Por quê estou dizendo isso? Exatamente porque a auto estima e a segurança nada tem a ver com o corpo que nós temos. Mudar o corpo não muda a cabeça.
Lembro quando eu comecei a namorar meu ex e conheci as exs dele. Meo, eu enlouqueci internamente quando vi que todas eram gordinhas. Minha cabeça fervia, eu não aceitava o fato dele ter começado a me namorar pelo meu corpo. Nunca nem cheguei a conversar sobre isso com ele porque eu tinha medo de escutar que ele preferia mulheres gordas. Na época eu não me aceitava ainda e comecei a trabalhar mais o meu emocional e a minha auto estima anos depois. Daí quando me mudei e o namoro acabou, conheci um cara, namorei com ele e ele me dizia abertamente que gostava de mulher igual a mim. Eu já tava em outro nível de aceitação, mas era bem difícil aceitar que outra pessoa só prestou atenção em você pelo seu corpo... again. Pra mim uma pessoa só poderia se interessar por mim a partir do momento que me conhecesse porque por um simples flerte corporal eu achava impossível. E olhe que isso foi ano passado, quando eu já tinha trabalhado bastante minha aceitação/auto-estima. Eu ficava revoltada quando nas pegações da gente ele me apertava, segurava meus pneuzinhos e dizia que amava aquilo. Pra mim era inconcebível! Depois eu me acostumei. Sim, acostumei, não passei a aceitar. Acho que se isso acontecer novamente na minha vida vai ser tão esquisito quanto da primeira vez. Hoje em dia eu já analiso e processo isso melhor (sem viver na pele) porque é natural você ter um tipo definido de atribuições para admirar em alguém.
Eu era tão insegura comigo que eu não conseguia dizer "não" a ninguém, eu tinha que desempenhar o papel de gordinha legal porque senão eu achava que ninguém ia gostar de mim. E eu sofri muito com isso. Até que eu aprendi que as pessoas têm que gostar de mim pelo que eu sou, não pelo meu corpo e muito menos porque eu digo sim pra tudo. Era tão absurda a minha capacidade de me submeter a tudo que eu ficava revoltada quando minha mãe me proibia de fazer algo porque as pessoas iam me excluir da vida delas e pra mim era surreal e doloroso não fazer parte de um determinado grupinho. Hoje em dia eu tô cagando pra isso. Hoje em dia eu me permito ser chata mesmo, dizer que não estou a fim, que não vou e fazer cara feia se eu não gostar. E o melhor, quem é meu amigo sabe disso e me aceita exatamente assim! Quando você para de pensar que seu corpo é o controle de tudo a vida se torna bem melhor.

Há um tempo eu escrevi um post chamado Defender o direito de se amar gorda não é fazer apologia à obesidade que serve como complemento do que escrevi aqui agora.

No mais é isso. Finish. Por enquanto.

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